Como se Tornar um Missionário Eficaz

Características de um bom missionário

JosephFSmithMissiontoEnglandUm tópico comum de discussão que tenho visto sobre a preparação missionária é “Quais são as características de um bom missionário?”. O Presidente Joseph F. Smith, presidente da Igreja SUD de 1901 a 1918, tinha muito a dizer sobre este assunto. Uma vez que seria difícil ou impossível criar uma lista exaustiva de características do bom missionário, aqui estão alguns destacados pelo Presidente Smith:

  1. Constante comunhão com o Espírito
  2. Humildade
  3. Conhecimento dos princípios do Evangelho
  4. Sociabilidade
  5. A preocupação com o bem estar dos outros
  6. Livres das manchas do mundo

1. Constante comunhão com o Espírito

O Presidente Smith disse que a melhor maneira de fazer o trabalho missionário é “viver de modo que o Espírito de Deus tenha comunhão conosco e nos acompanhe para dirigir-nos em todos
os momentos e em toda hora de nosso ministério, dia e noite”. Ele disse: “Nenhum homem pode pregar Deus, a divindade e a verdade como estão em Cristo Jesus a menos que seja inspirado pelo Santo Espírito”. O Presidente Smith disse ainda que “os homens não são convertidos pela eloquência ou pela oratória; eles se convertem quando sentem que vocês têm a verdade e o Espírito de Deus”. 2 Ne. 33: 1 “Quando um homem fala pelo poder do Espírito Santo, o poder do Espírito Santo leva as suas palavras ao coração dos filhos dos homens”.

2. Humildade

Disse o Presidente Smith: “Ninguém é capaz de pregar o evangelho de Jesus Cristo por conta própria (…) Não podemos pregar o evangelho de Cristo sem essa humildade, mansidão, fé em Deus e confiança em Suas promessas e Sua palavra para nós”. 1 Coríntios 2:11: “Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus”.

Veja meu post anterior sobre Características Missionárias: Humildade.

missionarystudying3. Conhecimento dos princípios do Evangelho

“Todo missionário deve esforçar-se para dedicar parte de cada dia ao estudo e reflexão fervorosa dos princípios do evangelho e da teologia da Igreja”, afirmou o Presidente Smith. “Os missionários são enviados para pregar e ensinar os primeiros princípios do evangelho, ensinar sobre Jesus Cristo e Sua crucificação e praticamente nada mais que se refira à doutrina teológica. Eles não foram comissionados para expor seus próprios pontos de vista ou complicadas questões teológicas, nem para impressionar seus ouvintes com uma exibição de sua profunda erudição”. Ele disse ainda que a mente do missionário “deve estar repleta de pensamentos que sejam dignos de ser proferidos, ouvidos e lembrados; então a inspiração o fará relembrar as verdades que os ouvintes estejam precisando ouvir, concedendo autoridade e poder a suas palavras”. D&C 11:21: “Não procures pregar minha palavra, mas primeiro procura obter minha palavra e então tua língua será desatada”.

4. Sociabilidade

O Presidente Smith ensinou que, como um missionário, “é preciso fazer amizade com a pessoa, aprender a conhecê-la e conquistar sua confiança e fazer com que sinta que seu único desejo é fazer-lhe o bem e abençoá-la; então você pode transmitir-lhe sua mensagem e entregar-lhe as boas coisas que tem para lhe dar”. Ele aconselhou os missionários que “evitem debates acirrados e discussões a respeito de temas doutrinários (…). [Missionários] não devem sair e combater as organizações religiosas do mundo quando forem chamados para pregar o evangelho de Jesus Cristo”. Em vez disso, eles “devem ensinar o mais próximo possível da maneira usada pelo Mestre: Procurando liderar pelo amor a seus companheiros, pela simples explicação e persuasão; sem tentar convencê-los à força”.

Veja meu post anterior sobre Características Missionárias: Sociabilidade.

5. A preocupação com o bem estar dos outros

O Presidente Smith ensinou que os missionários “[levam] ao mundo o ramo de oliveira da paz. Além disso, os missionários devem estar prontos para dizer com ele: “Estou feliz em dizer que estou pronto para ir e enfrentar os bons e maus momentos por esta causa que abracei; e espero sinceramente e oro que consiga provar-me fiel até o fim”. Ele ainda ensinou que “todo missionário que retorna da missão em plena fé e bom desejo deve tomar sobre si o encargo de tornar-se um salvador em relação a seus amigos e conhecidos mais jovens em sua terra natal”. D&C 88: 81: “E todo aquele que for advertido deverá advertir seu próximo”.

6. Livres das manchas do mundo

Presidente Smith declarou: “Queremos rapazes (…) que se mantiveram livres das manchas
do mundo e que possam ir às nações da Terra e dizer: ‘Sigam-me, assim como eu sigo Cristo’”. Ele diz: “Não se faz nenhuma objeção a que enviemos homens que já foram rudes ou rebeldes, desde que nos anos que se seguiram tenham vivido uma boa vida e produzido os preciosos frutos do arrependimento”, disse o Presidente Smith. Ele ainda ensinou que os missionários devem fazer com que “nossa vida esteja em harmonia com nossa profissão, que nossas palavras sejam condizentes com a verdade que possuímos, que nossos atos estejam de acordo com a vontade revelada de Deus”.

Além das referências bíblicas, todas as citações referentes às características de um bom missionário são tomadas a partir de Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph F. Smith, Capítulo 9: Nosso Dever para com o Trabalho Missionário.

Características Missionárias: Humildade

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Recentemente, minha esposa e eu assistimos a um filme chamado Errand of Angels (Incumbência de Anjos, em tradução livre), sobre uma missionária na Áustria. Assistir ao filme me fez pensar muito sobre minha missão, particularmente, achei-me refletindo sobre o que faria diferente, se eu tivesse que fazer tudo de novo. Cheguei à conclusão de que a coisa número um que eu faria diferente seria não me preocupar tanto. Em vez disso, gostaria de tentar, mais humildemente, aceitar  a vontade de Deus e respeitar o livre-arbítrio das pessoas, mesmo se elas rejeitassem a mensagem que eu queria compartilhar.

Lembro-me de ficar com raiva quando as pessoas não queriam ouvir nossa mensagem. Eles batiam a porta para nós ou nos ignoravam completamente quando estávamos fazendo contato na rua. Acho que é fácil dizer quando se não está na situação, mas eu não iria deixar que essas rejeições me incomodassem tanto agora. Trabalho duro nunca foi algo que me faltou na missão, por isso eu trabalharia tão duro quanto trabalhei, mas se tivesse que fazer novamente, eu iria trabalhar com mais fé, humildade, paciência e confiança no Senhor.

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O Presidente Spencer W. Kimball fez a seguinte definição de humildade que eu sempre amei: “Se o Senhor era manso, modesto e humilde, então para se tornar humilde deve-se fazer o que Ele fez, ao audaciosamente denunciar o mal, bravamente avançando em obras justas, corajosamente encontrar cada problema, tornando-se senhor de si mesmo e das situações ao seu redor, estando alheado ao crédito pessoal”. (Humildade, Os Discursos do Ano da Universidade Brigham Young, Provo, 16 de janeiro de 1963, pp. 2-3. Citado no Manual do Estudante de Doutrina e Convênios. Tradução livre.) O Presidente Kimball continuou: “Como posso permanecer humilde? O missionário brilhante pergunta. Através da lembrança de suas próprias fraquezas e limitações, não ao ponto da depreciação, mas como uma autoavaliação orientada por um desejo sincero de dar crédito onde crédito é devido”.

O próprio Senhor falou do céu para o profeta Joseph Smith e disse que a humildade era uma das mais importantes características que os missionários deveriam possuir. “Portanto eu, o Senhor, conhecendo as calamidades que adviriam aos habitantes da Terra, chamei meu servo Joseph Smith Júnior e falei-lhe do céu e dei-lhe mandamentos. E também a outros dei mandamentos de proclamar estas coisas ao mundo; e tudo isso para que se cumprisse o que foi escrito pelos profetas — As coisas fracas do mundo virão e abaterão as poderosas e fortes, para que o homem não aconselhe seu próximo nem confie no braço de carne (…) Para que a plenitude do meu evangelho  seja proclamada pelos fracos e pelos simples aos confins da Terra e perante reis e governantes”. (D&C 1:17-19,23)

Quando você é humilde, você é ensinável e o Senhor é capaz de usá-lo como um instrumento em Suas mãos. A Igreja manda exércitos de jovens missionários inexperientes a cada ano e, ainda assim, o trabalho não esmorece. Na verdade, floresce. E talvez por isso o trabalho é tão bem sucedido, porque este exército, fraco aos olhos do mundo, tem pouco recurso a não ser contar com o braço do Senhor. E quando o Senhor está ao seu lado, “nada é impossível”. (Lucas 1: 37)

Características Missionárias: Sociabilidade

Recentemente, eu estava lendo Doutrinas do Evangelho, do Presidente Joseph F. Smith, e fiquei impressionado com um comentário que ele fez sobre a necessidade de missionários serem sociáveis, para serem eficazes.

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“Há muitos homens excelentes, mas muito poucos missionários realmente bom. As características de um bom missionário são:Um homem bastante sociável, cuja amizade seja viva e permanente, que consiga conquistar a confiança e a aprovação de homens que estejam nas trevas. Isso não pode ser feito sem preparação. É preciso fazer amizade com a pessoa, aprender a conhecê-la e conquistar sua confiança e fazer com que sinta que seu único desejo é fazer-lhe o bem e abençoá-la; então você pode transmitir-lhe sua mensagem e entregar-lhe as boas coisas que tem para lhe dar, de modo gentil e caloroso. Portanto, ao selecionar missionários, escolham os que são sociáveis, que façam amigos e não inimigos; e se não tiverem alguém assim em sua ala, treine e preparem alguns rapazes para esse trabalho”. – Doutrinas do Evangelho, Joseph F. Smith.

É interessante que o Presidente Smith disse que a sociabilidade é uma habilidade que pode ser aprendida. Certamente, a sociabilidade é algo que vem mais naturalmente para alguns que para outros. Eu, por exemplo, não sou exatamente extrovertido, portanto foi algo em que tive que trabalhar. Na primeira área em que fui designado como missionário na Argentina, havia uma menina no ramo que me chamava de Élder Sério. Nunca gostei desse apelido. Sempre me considerei uma pessoa feliz, mas o ajuste de ser “jogado” em um país estrangeiro deve ter sido um pouco esmagador e isso ficava evidente nas minhas expressões faciais. Percebendo que eu não queria que aquele apelido pegasse, esforcei-me para me tornar um missionário mais feliz e deixar que isso transparecesse. Acho que em minha terceira ou quarta área, eu tinha feito um progresso significativo. Sou daqueles a quem esse tipo de coisa vem com menos facilidade, embora eu ainda pense que fui um missionário muito eficaz. Talvez minhas outras características, como trabalho duro, fé e conhecimento ajudaram a compensar.

Élder L. Tom Perry, em seu discurso de 2007 intitulado Elevar Nossos Padrões, também discutiu a necessidade de os missionários terem boas habilidades sociais. Disse ele: “Os missionários em perspectiva também devem estar preparados com habilidades sociais [para servir uma missão]. Cada vez mais os jovens estão-se isolando dos outros, jogando videogames, usando fones de ouvido, e se comunicando por celular, e-mail, mensagens de texto, etc., em vez de pessoalmente. Muito do trabalho missionário envolve relacionar-se diretamente com as pessoas; e, a menos que subam a barra para desenvolver habilidades sociais, vocês se sentirão despreparados”.

Foto acima: Meu irmão Paul Smith Jr. na Missão Itália Catania.